É acordado com chutes no pé, um cara vem e tira uma vodka da mochila. Começa o dia.
Ia viajar no dia seguinte. Planeja tudo para não fazer nada, mas cumpre com as obrigações, desarrumando e desajustando. De tarde rola um estouro monetário, mas tudo bem era pra uma causa justa, esqueceu. Não lembra de mais nada, só o depois de noite, que adia a viagem pra de manhã, chega alegre na bagunça, conhece um monte e anima, lembra da mochila que brotou a manga, FODEU, encheu a cara. Trocou a roupa, saiu encoletado com a galera, mas esqueceu os compromissos com a nação em casa e voltou sozinho sem saber o caminho. Não tem problema, é só pegar o celular e ligar pra todo mundo pra se difamar e mostrar embriaguez, pelo menos era um jeito de não ficar sozinho. Chega em casa e lembra da manga quase congelando, bebe muito mais dela, tava meio verde, mas não podia esperar a próxima estação. Conversa com as pessoas recém-conhecidas e é arrastado pra um pub, lá quer beber, mas tinha esquecido da bufunfa, era necessário ir pra casa mais um vez e quando chega é seduzido pela manga e cai com ela na cama para uma noite de foda, adormece. No mesmo colchão fino que foi chutado nos pés, acorda com o celular gritando umas 8 vezes pra atormentar, quando tenta levantar pra não quebrar o celular por raiva, olha pro chão e vê dois seres esparramados no carpete, cutuca um que pula pro colchão e esquece da outra que nem lembra mais onde está. Corre muleeeeque, pega as coisas, mas deixa a cabeça quieta, a manga quer matá-la absolutamente, o relógio avisa que está lerdo. Foi pra rua, entrou no metrô, mas a cabeça ficou, ficou indo e voltando, enjoando, haja calma, vai ser rápido...Ia ser se uma palhaça infante não resolvesse gorfar lentamente um queijo infame que sobe com a velocidade do metrô. Força estomacal, ficativo com o figo, respira um ar sem lactose pra lá...chegou, cadê o guichê do ônibus? achou, notícia: lotou, se ferrou.
Mas nããão, tem a cidade adotiva pra ir. Encontra conhecidos ao mesmo destino que sairia 2 horas depois, esperou com eles e chega um cara que o lembrava ontem, estavam com o mesmo sotaque alterado, dá todas as moedas correndo pra não ter que ficar ouvindo muita coisa, porque a cabeça estava muito foda, mas não adiantou, continuava com a rosa e força de Jesus falando e falando e irritando e tchau, hora de viajar. Sentou-se na poltrona 12, na 11 havia um vovô desbanhado por uma semana pelo menos. A blusa do ancião ficava raspando no braço do passageiro com os movimentos do ônibus, pensou cortar a manga da camisa verde do velho umas 7 vezes enquanto a dentadura ficava exposta. Mas não. Ligou o som no máximo, sorte o velho ser surdo, mas mesmo assim ficava encarando o som alto. Parou na estrada, Doritos de 5 reais é uma castimônia, mas a fome bate e a economia vai embora, hora de retomar o rumo, o senhor tira da sacola pedaços de docede leite. Lambusa os dedos entre os buracos da dentadura e passa no encosto de braço, brochante. Dorme e acorda porque a cuca pegou e o cotovelo agora estava com o sabor de doce de leite, última moda. Rondou a estrada pa parar num trevo aí, não lembrava onde era, mas já tinha combinado com um monte pra buscá-lo, mas quando saiu do ônibus ninguém mais além dele e a estrada. Ataque espumante salivar de raiva, mas tudo se resolveu com uma ligação do chefão, pedindo pra que fosse no caminho do mato pro carro preto. Chegou de onde brotou, e de lá foi pra um churrasco, no churrasco chegou em grande estilo : derrubou a linguiça toda no chão, todo mundo gostou, pessoas bêbadas desciam da tirolesa e voltavam mais loucas. Foi legal.Viu quem sentia saudade e partiu pra matar mais saudades. Depois de rir, ser sacana, arrogante e simpático voltou e capotou, mas numa cama da casal com seus vários travesseiros. Acordou com beijos chutando o rosto.
terça-feira, 11 de maio de 2010
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